Uma grande operação realizada pela missão Barnabas Aid resgatou cerca
de 2.000 mulheres e crianças cristãs que estavam presas no Sudão.
Depois de uma série de obstáculos políticos e burocráticos, dia 19 de
setembro foram realizados com sucesso os 12 voos fretados que saíram de
Cartum para a capital do Sudão do Sul, Juba.
A missão de resgate tem se estendido desde então e deve ser concluída
nos próximos dias. Os líderes da Igreja e da comunidade local
identificaram os cristãos mais necessitados e vulneráveis entre as
centenas de milhares de sulistas que estavam “presos” em Cartum.
“Eles serão acolhidos nas instalações de acolhimento temporários
criados pelo governo sudanês do Sul antes de chegar até membros da
família espalhados por todo o país”, disse um porta-voz do Barnabas Aid,
que ressaltou: ”A Igreja no Sudão do Sul está pronta para ajudá-los
com as suas necessidades imediatas”.
Cristãos nascidos no sul que permaneceram no Sudão após a divisão dos
dois países foram despojados de sua cidadania pelo governo e receberam
um prazo para sair. O presidente Omar al-Bashir deixou claro que eles
não são mais bem-vindos no Sudão e repetidamente declara sua intenção
de fazer com que seu país seja formado 100% por islâmicos e que imporá a
lei da sharia.
Embora no ano passado muitos foram para o Sul do Sudão por sua
própria vontade, o governo sudanês recentemente fechou a fronteira e com
isso os sulistas vem sofrendo. A vulnerabilidade dos que ficaram
presos no norte intensificou-se na semana passada por causa dos
violentos protestos islâmicos que mexeram com todo o Sudão. O Barnabas
Aid afirmou que “Além de enfrentarem o perigo de morte, os cristãos
empobrecidos do sul têm vivido em condições terríveis nos abrigos
improvisados da periferia de Cartum há muitos meses.”
Independente desde 9 de Julho de 2011, pelo voto de 97% dos
habitantes, o Sudão do Sul enfrenta sérias dificuldades econômicas. A
população da nação mais jovem do mundo é formada majoritariamente por
cristãos e animistas. Após anos de guerra com o Sudão, principalmente
por causa de motivos religiosos e étnicos, o novo país carece de uma
administração estatal eficaz, infraestruturas e serviços básicos, e
precisou ser construído quase do zero, pois Cartum nunca permitiu o
desenvolvimento do Sul.
Além disso, está privado de 98% das suas receitas desde janeiro,
quando paralisou a sua produção de petróleo, por causa dos conflitos com
o Sudão sobre a partilha dos recursos petrolíferos. Agora investe, com
a ajuda da ONU, num gasoduto em direção ao Djibuti. Os dois Estados
continuam envolvidos numa maratona de negociações mediada pela União
Africana, para tentar resolver as suas diferenças e ainda debatem a
delimitação de fronteiras.
Organizações cristãs e humanitárias de todo o mundo tem enviado ajuda
e havia o temor que os cristãos que ficaram no norte fossem
massacrados como uma forma de retaliação do governo do Sudão. - Religion Today



